Dia da Proteção Civil (Sensibilização para uma Cultura de Segurança)

Até aos anos 40, determinadas ordens, procedimentos e manobras eram dadas através do som do apito. Exemplo marcante era a montagem das escadas à portuense e à crochê. Esta montagem era executada fielmente pelo apito do graduado ou mesmo do elemento de comando.
Mostrava-se organização, disciplina e destreza. A espectacularidade das manobras estava sempre presente. A montagem da escada à portuense em topo provocava alguns arrepios ao público mais sensível. Do mesmo modo, a montagem na horizontal com o tradicional arvorar da escada exigiam movimentos cadenciados e marcados com a ordem de aviso e com a ordem de execução através do apito. Quem não se recorda da montagem da escada à croché, também designada escada de ganchos, e até se costumava dizer que dava para chegar até ao céu! Aqui estava presente a musculatura de braços e onde não se podia pensar em vertigens. Do mesmo modo o anúncio da chegada do comandante e mesmo a execução de ordem unida tinham toques muito próprios. Mas tudo isto era comandado pelo apito que o tempo guardou e que de uma forma inesperada chegou ao Novo Quartel da Cruz Branca. O célebre apito pertenceu à família “Antunes”, que teve uma ligação muito forte à Cruz Branca, por mais do que uma geração. O pai e dois dos filhos eram conhecidos como bons operacionais e preocupados com a instrução dos Bombeiros. No Quartel Moraes Serrão, situado na Rua Direita no centro da cidade, faziam-se os treinos e instruções de escadas ao som do apito preso por uma corrente a uma das platinas do blusão e encaixado no bolso do peito. Quando necessário era exibido com garbo e também com autoridade, permitindo que, através do movimento dos dedos, o som variasse de tom. O exemplar trazido até nós será exposto no novo quartel como instrumento usado pelos nossos antepassados e com grande orgulho será estimado pelos presentes como elemento histórico desta centenária Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários. Os toques do apito e a correspondente execução das manobras estão expressos na tabela em uso pelos Bombeiros de Salvação Pública, denominação usual na época. A nossa Marinha de Guerra, sempre presente na história da Nação Portuguesa, ainda usa o apito para emanar as ordens e procedimentos nas várias manobras que as tripulações têm de executar nos navios de guerra, com especial destaque o navio-escola Sagres.
Os Bombeiros da Cruz Branca participaram no simulacro organizado pela Escola Secundária Camilo Castelo Branco, vulgarmente conhecida por Liceu.
A simulação de incêndio foi efectuada numa sala de aula no edificio anexo e contou com um VUCI, 5 elementos e uma ABSC, com dois elementos. A localização das vitimas e a sua estabilização, a extinção das chamas e a remoção de fumos com ventilador de pressão positiva, foi efectuada dentro dos tempos normais para estas circunstâncias.
A evacuação foi efectuada com normalidade, os pontos de conflito foram minimizados pela organização de segurança da Escola e o tempo de intervenção dos bombeiros foi de 4 minutos.
Considerando que o edificio principal da escola é muito antigo e o anexo já esgotou o tempo de vida útil podemos afirmar que os objectivos foram conseguidos.